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Conheça as baleias que visitam Ilhabela e saiba o que fazer ao avistá-las durante um passeio de barco. As dicas são do Projeto Baleia à Vista, que monitora baleias e golfinhos na região.

Baleia de Bryde, mais comum na região, em um raro momento de salto (Foto: Julio Cardoso / Projeto Baleia à Vista)

Baleia de Bryde, mais comum na região, em um raro momento de salto (Foto: Julio Cardoso / Projeto Baleia à Vista)

Reparou que este ano foi mais comum avistar baleias na região de Ilhabela? Vários turistas postaram vídeos e fotos de encontros inesperados que tiveram durante passeios de barco pela ilha. As mais comuns entre junho e setembro foram as baleias Jubartes, mas houve também casos de orcas, as baleias mais famosas de Hollywood, que aparecem mais nessa época mais quente.

A gente foi procurar saber mais sobre esse fenômeno e sobre nossas ilustres visitantes. Pra isso, nada melhor do que falar com quem entende do assunto, pois observa baleias desde 2004. Julio Cardoso é um dos criadores do Projeto Baleia à Vista que, desde 2016, monitora e organiza registros da fauna marinha, especialmente cetáceos como baleias e golfinhos.

Cauda de Baleia Jubarte com Farol da Ponta do Boi ao fundo (Foto: Julio Cardoso / Projeto Baleia à Vista)

Cauda de Baleia Jubarte com Farol da Ponta do Boi ao fundo (Foto: Julio Cardoso / Projeto Baleia à Vista)

Por que as baleias estão vindo mais para Ilhabela? Elas são perigosas? Como agir quando avistar um animal desses? A gente tirou todas as dúvidas com o Julio, veja a seguir.

De janeiro a setembro de 2018, mais de 83 baleias passaram pelo Litoral Norte

Este ano tivemos um aumento significativo no número de baleias registradas na região de Ilhabela pelo Projeto Baleia a Vista. O maior aumento foi entre as baleias Jubartes, durante sua migração para Abrolhos (litoral da Bahia), que acontece entre junho e setembro. Em 2017, foram avistadas 9 baleias da espécie na região, enquanto até setembro de 2018, o número subiu para 42.

Acrobacia de Baleia Jubarte em Ilhabela (Foto: Julio Cardoso / Projeto Baleia à Vista)

Acrobacia de Baleia Jubarte em Ilhabela (Foto: Julio Cardoso / Projeto Baleia à Vista)

Julio explica que, nos últimos anos, as Jubartes estão seguindo uma rota que as leva mais próximo da costa. Por isso, neste ano grande quantidade delas vieram por um caminho que as trouxe até o entorno de Ilhabela, passando pelo Canal de São Sebastião, e daqui seguiram para a Bahia.

Segundo ele, há várias teorias sobre o motivo dessa mudança de rota, mas não se sabe ao certo o que está ocorrendo. As duas hipóteses mais prováveis é de que: a redução de alimentos (krill) na região antártica as leva a vir buscar alimento perto da costa; e soma-se a isso o aumento no número de baleias Jubarte, o que as levam a expandir seu território. Hoje, estima-se que existem 20 mil baleias Jubarte no Atlântico Sul, número bem maior do que há 30 anos, quando acabou a caça da espécie e existiam somente cerca de 3 mil baleias.

Cauda de Baleia Jubarte "Pagu" em Ilhabela (Foto: Julio Cardoso / Projeto Baleia à Vista)

Cauda de Baleia Jubarte “Pagu” em Ilhabela (Foto: Julio Cardoso / Projeto Baleia à Vista)

Veja o número de baleias avistadas de 2016 a 2018 na região do Litoral Norte de SP

Espécie

2016

2017

2018 (Janeiro a Setembro)

Beleias de Bryde 32 22 19
Baleias Jubarte 33 9 42
Orcas 0 14 16
Baleias Francas 0 2 6

Total

65

47

83

Quais são as espécies de baleias e golfinhos mais comuns na nossa região

Já vimos que é mais comum ver baleias por aqui entre junho e setembro, especialmente as Jubartes, já as Orcas são mais raras e preferem os períodos de água mais quente, e os golfinhos circulam o ano todo, não há um período especifico. Segundo Julio, os golfinhos estão sempre procurando comida ou se deslocando por diferentes pontos na Ilhabela, é bem comum ver grupos acompanhando os turistas durante passeios de barco.

Mapa de avistagens de baleias em Ilhabela, por espécies, em 2018 (Projeto Baleia à Vista)

Mapa de avistagens de baleias em Ilhabela, por espécies, em 2018 (Projeto Baleia à Vista)

O importante é saber que temos 4 espécies de baleias comuns por aqui e, segundo o pessoal do Projeto Baleia à Vista, absolutamente nenhuma baleia é agressiva ou traz perigo ao ser humano. Aquela história de que as baleias Orcas são assassinas é coisa de filme de Hollywood. Pelo contrário, nós humanos é que somos um risco para as baleias.

No caso dos golfinhos, nos últimos 3 anos, foram cerca de 80 registros de milhares de golfinhos na nossa região, de 6 espécies mais comuns. Quanto ao número, os registros de golfinhos têm se mantido com a mesma frequência nos últimos anos.

Golfinho Pintado do Atlântico, muito comum em Ilhabela (Foto: Julio Cardoso / Projeto Baleia à Vista)

Golfinho Pintado do Atlântico, muito comum em Ilhabela (Foto: Julio Cardoso / Projeto Baleia à Vista)

Conheça melhor cada espécie de baleia avistada no Litoral Norte

Baleia de Bryde (Balaenoptera brydei)
Pode chegar a 16 metros de tamanho e 20 toneladas. É uma baleia residente na nossa região, que se alimenta de pequenos peixes (sardinhas, manjubinhas, etc.) e chega mais próximo da costa na primavera e especialmente no verão.

Baleia Jubarte (Megaptera novaeanglia)
Chega a 16 metros, mas pesa mais, chegando a 40 toneladas. As Jubartes são baleias acrobáticas e saltam bastante. É uma baleia que migra das águas frias da região antártica para as águas quentes da Bahia no inverno, retornando no verão todos os anos para reprodução.

Baleia Orca avistada em Ilhabela (Foto: Manoel Albadalejo / Instituto Argonauta)

Baleia Orca avistada em Ilhabela (Foto: Manoel Albadalejo / Instituto Argonauta)

Orcas (Orcinus orca)
Na realidade, a Orca é da família dos golfinhos, considerado o maior golfinho existente, pode medir entre 7 a 10 metros e pesar entre 5 e 9 toneladas. Vivem em grupos coordenados, sempre com um líder, e são muito inteligentes, ficando no topo da cadeia alimentar. Elas ganharam o apelido de “baleias assassinas”, o que é extremamente injusto, pois elas andam por todos os mares e têm uma dieta variada. Não atacam seres humanos, se interessam por peixes ou até mesmo por mamíferos.

Baleia Franca (Eubalena australis)
É a maior das baleias que nos visitam, chegando a 17 metros e até 100 toneladas. Vivem na região sul e migram para águas mais quentes para procriar. Costuma ter seus filhotes e passar com eles por nossa região, buscando praias de águas calmas para amamentar.

Baleia Franca com filhote, avistada próximo ao Bonete (Foto: Julio Cardoso / Projeto Baleia à Vista)

Baleia Franca com filhote, avistada próximo ao Bonete (Foto: Julio Cardoso / Projeto Baleia à Vista)

Conheça as 6 espécies de golfinhos mais comuns na nossa região

Golfinho Nariz de Garrafa (Tursiops truncatus)
O maior de nossos golfinhos, podendo chegar 3,80 metros e até 350kg. Muito acrobático, pode saltar até 5m de altura.

Golfinho de Dentes Rugosos (Steno bredanensis)
Mede até 2,80m e chega a pesar 155kg. Atacam em grupos e se alimentam de peixes grandes como tainhas, dourados etc.

Golfinho Pintado do Atlântico (Stenella frontalis)
O mais comum golfinho na nossa região, com saltos incríveis, mede entre 1,90 a 2,30m e pesa até 140 kg.

Golfinho Pintado do Atlântico, muito comum em Ilhabela (Foto: Julio Cardoso / Projeto Baleia à Vista)

Golfinho Pintado do Atlântico, muito comum em Ilhabela (Foto: Julio Cardoso / Projeto Baleia à Vista)

Golfinho Comum (Delphinus sp)
É o golfinho mais comum em todos os mares e vive, em geral, mais no alto mar. Chega a medir 2,10 a 2,40m e pesa até 110kg.

Boto Cinza (Sotalia guianensis)
Mede de 1,70 a 1,80m e pesa até 120kg. Vive próximo da costa e forma grupos de 150 ou mais indivíduos.

Toninha (Pontoporia blainvillei)
Menor de nossos golfinhos, mede 1,20 a 1,70m e pesa no máximo 55kg. É endêmico do Atlântico Sul (do Espírito Santo até a Patagônia) e está em risco de extinção.

O que fazer ao avistar uma baleia?

Existem normas para avistagem de baleias e golfinhos e a regra básica é não molestá-los. Veja quais são os cuidados necessários para proteger os animais e não coloca-los em risco:

✅ Quando se navega, é muito importante observar alguns sinais como os pássaros atacando algum cardume de peixes, pois é possível que alguma baleia ou grupo de golfinhos esteja por perto também atacando o cardume.

✅ Normalmente, a primeira coisa que se avista é o borrifo da baleia. Se isso acontecer, a primeira coisa é reduzir a velocidade do barco para menos de 12 nós.

✅ Nunca se navega em rota de colisão com uma baleia, devemos nos aproximar pelo través mantendo a distância de segurança de 100 metros.

✅ Importante é que nunca se deve perseguir uma baleia e nem bloquear sua passagem ficando no meio de sua rota.

✅ Se a baleia decide por sua conta se aproximar do barco, e isso é comum pois muitas são curiosas, não se deve acelerar. O correto é cortar o motor ou deixar em neutro e só se afastar quando a baleia já estiver visível e a distância segura do motor.

✅ Quando estamos em um canal, como é o caso da parte mais urbana de Ilhabela, é importante que a embarcação esteja do lado da praia ou costeira e a baleia no meio do canal, pois do contrário a embarcação poderá acabar “empurrando” a baleia para a praia ou costa, provocando seu encalhe.

✅ O importante é sempre usar o bom senso e manter as distâncias seguras. Assim você verá um belo espetáculo da natureza e garantirá que o animal siga sua jornada de forma segura.

Saiba mais sobre o Projeto Baleia à Vista

Julio Cardoso e Arlaine Francisco - Projeto Baleia à Vista (Foto: Aurélio Nascimento) Apaixonado pela navegação desde a juventude, Julio Cardoso faz registros de baleias e golfinhos no Litoral Norte desde 2004. Em 2016, criou o Projeto Baleia à Vista com a bióloga e fotógrafa Arlaine Francisco, com o objetivo de organizar os registros de cetáceos, monitorar essa fauna e contribuir para sua conservação.

Projeto Baleia à VistaDesde 2004, foram 163 registros de 287 baleias e 80 registros de milhares de golfinhos na região. A educação ambiental da população em relação à fauna marinha do Litoral Norte de SP é o foco principal do projeto. Saiba mais em www.projetobaleiaavista.com.br.

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