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TEDx Ilhabela conecta o litoral norte ao circuito mundial de inovação e ideias - Carlos Nobre, cientista climático, é uma das vozes da COP30

TEDx Ilhabela conecta o litoral norte ao circuito mundial de inovação e ideias

Com temas que inspiram mudança e valorizam a criatividade local, o TEDx Ilhabela revelou o poder transformador de uma comunidade conectada ao mundo

Por Cristina Morgato

Às vésperas da COP30, maior evento das Nações Unidas global para discussão e negociações sobre as mudanças do clima, que acontecerá em Belém (PA), a partir de 10 de novembro de 2025, Ilhabela torna-se cenário de um marco importantíssimo para a região. O primeiro TEDx Ilhabela abre um importante espaço para discussões essenciais do mundo atual e, embora tenha acontecido na ilha, mobilizou esforços de toda a região do Litoral Norte de SP, além de contar com nomes de referência em todo o Brasil em diversas áreas do conhecimento.

Na última segunda-feira, 6 de outubro de 2025, o Complexo Cultural Baía dos Vermelhos, espaço singular no sul da ilha onde auditórios e espaços dedicados à arte e cultura se integram completamente com a natureza, foi palco de ideias e reflexões sobre ancestralidade, ocupação do território, sustentabilidade e, principalmente, regeneração.

Centro Cultural Baia de Vermelhos foi palco do primeiro TEDx Ilhabela

Centro Cultural Baia de Vermelhos foi palco do primeiro TEDx Ilhabela

Ocupando de forma muito harmoniosa o espaço, o evento reuniu produtores locais, artistas, educadores, líderes e membros da sociedade para um dia todo dedicado ao diálogo, favorecendo à troca e integração de diferentes agentes desse território. Incluindo representantes da sociedade civil, empresários, associações, poder público e comunidades tradicionais, o TEDx Ilhabela levantou questões urgentes sobre como vivemos o presente e como queremos o futuro do nosso planeta.

A urgência climática e o papel do Brasil

Logo pela manhã, Carlos Nobre abriu as palestras em tom otimista. Embora a situação do aquecimento global seja altamente alarmante, ele, que é um dos maiores especialistas em clima do Brasil e referência mundial em estudos sobre Amazônia e mudanças climáticas, revelou a boa nova de um estudo que irá apresentar com seus colegas de trabalho na COP 30. “O Brasil pode ser o primeiro país do mundo a zerar as emissões de gases que provocam o aquecimento global até 2040″, anunciou positivo. Claro que para que esta boa notícia se torne realidade, existem desafios a serem superados, especialmente três, segundo o especialista: parar com o desmatamento e degradação das áreas de mata; adotar um modelo de agricultura e pecuária regenerativas; e encerrar o uso de combustíveis fósseis.

O cientista destacou Ilhabela como ponto fundamental de preservação da Mata Atlântica – hoje, temos mais de 80% de Mata preservada -, assim como outras áreas do litoral de SP, e explicou que as florestas são fundamentais para equilibrar o clima do planeta. Segundo ele, embora desastres naturais como alagamentos (a exemplo da situação vivida no sul do País em 2024) e deslizamentos (como o ocorrido em São Sebastião, em março de 2023) sejam vistos como causadores de muitas mortes, as ondas de calor impactam muito mais na saúde dos brasileiros, sendo responsáveis por mais de 500 mil mortes por ano, especialmente em idosos e crianças de até 5 anos.

“O Brasil pode ser o primeiro país do mundo a zerar as emissões até 2040” — Carlos Nobre, climatologista e referência mundial em mudanças climáticas (Foto: João Carlos de Brito)

“O Brasil pode ser o primeiro país do mundo a zerar as emissões até 2040” — Carlos Nobre, climatologista e referência mundial em mudanças climáticas (Foto: João Carlos de Brito)

Nobre explicou que acelerar a agricultura e a pecuária de forma regenerativa (alternando pastagens com replantio de mata) pode restaurar pelo menos 30% da Mata Atlântica além do que já temos atualmente. Além disso, precisamos lutar por cidades mais verdes, seguindo o exemplo de Singapura e de algumas cidades chinesas e europeias, pois isso pode diminuir em até 5 graus a temperatura em um pico de calor no verão. Isso protege as futuras gerações, que tendem a sofrer ainda mais com o aquecimento global.

A ideia de agroflorestas também é defendida por Estevan Sartoreli, co-fundador da Dengo Chocolates, que conseguiu transformar o cacau em vetor de justiça econômica e regeneração ambiental no sul da Bahia. Engenheiro de formação, após trabalhar em grandes empresas e se decepcionar com o ambiente corporativo, ele conta que começou a refletir sobre o papel que queria, de fato, ter nos negócios e como ser humano, chegando ao propósito de que “ser feliz é fazer o bem”.

Estevan Sartoreli acredita que ser feliz é fazer o bem, acredita na regeneração ambiental e justiça econômica

Estevan Sartoreli acredita que ser feliz é fazer o bem, acredita na regeneração ambiental e justiça econômica

Uma das formas que ele encontrou para colocar em prática este propósito foi lutar para dar uma vida digna ao produtor de cacau, fazendo com que ele receba mais do que o mercado pagava. Além disso, também buscou oferecer às pessoas chocolates com mais sabor e saúde, mais cacau e menos açúcar. O que o levou a outro projeto, o True Food, cujo propósito é tornar visíveis os verdadeiros custos e preços dos alimentos, expondo os impactos ocultos na saúde, na natureza e nas pessoas. “Que, no futuro, o chocolate se torne uma sobremesa saborosa que tem recheio de florestas preservadas e de pessoas com dignidade”, reflete esperançoso de que os novos hábitos que buscamos se tornem realidade e não somente um bom discurso.

Regeneração da dignidade nas comunidades

Quando o tema é levar dignidade para as comunidades, o TEDx não poderia ter escolhido alguém mais especial para falar do que Hermes de Sousa. Educador popular e fundador de diversos projetos sociais para jovens em vulnerabilidade na Zona Leste de São Paulo, Hermes chegou com muito respeito e carisma a Ilhabela, trazendo sua experiência de mais de 30 anos trabalhando com regeneração nas favelas, ou “quebradas”, como ele gosta de chamar.

Com o lema “justiça social não é dar pão a quem tem fome, é sentar e comer junto”, ele contou sobre diversas ações realizadas por meio do Instituto NUA – Nova União da Arte, da qual é fundador e ele, carinhosamente define como um “lugar para que as pessoas cansadas da alma possam descansar antes de continuar”. Entre os projetos da organização, estão a Escola Debaixo da Ponte, criada em conjunto com as crianças que tem cinema, feira e diversas atividades culturais, a Unidiversidade da Quebrada, com cursos livres que buscam ampliar as potencialidades individuais, e até uma moeda local, a Cacimba, pela qual é trabalhado o pilar econômico e a educação familiar.

“Justiça social não é dar pão a quem tem fome. É sentar e comer junto.” — Hermes de Sousa, educador e fundador do Instituto NUA (Foto: João Carlos de Brito)

“Justiça social não é dar pão a quem tem fome. É sentar e comer junto.” — Hermes de Sousa, educador e fundador do Instituto NUA (Foto: João Carlos de Brito)

“Criar e gerar se faz no coletivo, não se faz ‘para a favela’, mas ‘com a favela’”, explica Hermes e acrescenta que um dos seus pilares de trabalho também é a agroecologia. “Estou em uma comunidade às margens do rio Tietê com 60 mil pessoas que não tinham uma árvore. Hoje, um lixão virou uma agrofloresta, onde famílias vivem da produção do orgânico”. E o clima não poderia ficar de fora das discussões, afinal, todos os anos os moradores da comunidade sofrem as consequências de alagamentos e outros desastres relacionados ao aquecimento global. Em uma “frente periférica pelo clima”, o líder comunitário mobiliza lideranças da capital paulista e pessoas de todos os lugares do mundo para abrirem os olhos para as necessidades da periferia e o papel de todos nós como sociedade.

Quem viveu bem de perto as consequências das mudanças e desequilíbrio climático foi Eudes Assis, da costa sul de São Sebastião. Em 2023 a região foi devastada por um deslizamento de terra após uma chuva com volumes históricos, e a solidariedade foi essencial para a regeneração territorial. Chef de cozinha premiado internacionalmente, Eudes orgulha-se de sua origem e leva para o cardápio de seu restaurante Taioba a tradicional culinária caiçara.

"O futoro floresce quando o passado é reconhecido" - TEDx Ilhabela (Foto: Zazulê)

“O futoro floresce quando o passado é reconhecido” – TEDx Ilhabela (Foto: Zazulê)

E vendendo “comida de verdade”, ele ajuda as crianças da comunidade local a terem acesso à educação, esporte e cultura, por meio do projeto Buscapé. São mais de 170 crianças atendidas e alimentadas diariamente, honrando sua origem e tentando minimizar a desigualdade social que existe na região cortada pela rodovia Rio-Santos, onde, muitas vezes, a comunidade se vê isolada e afastada da praia por condomínios de luxo. “Eu diria para o garoto que vendia sorvete na praia de Maresias aos 10 anos: você é uma pessoa privilegiada que vai conhecer o mundo, mas vai voltar e devolver para a comunidade e ajudar as crianças da sua região”, comenta orgulhoso.

Vozes da ancestralidade

O TEDx Ilhabela foi um encontro de povos das mais variadas origens, e diversas comunidades foram representadas. Os caiçaras tradicionais, nascidos no litoral, os que escolheram morar perto do mar, mesmo sendo originalmente de grandes cidades, ou que visitam nossa região a passeio, e também aqueles povos originários, que já estavam aqui muito antes da maioria de nós, como indígenas e quilombolas.

Florisbela Santos, liderança do Quilombo do Açude, na Serra do Cipó (MG), trouxe todos os aprendizados e saberes ancestrais da cultura do candombe. Ela contou que lá, aprendem a preservar o cerrado (com manchas de Mata Atlântica) que exerce o importantíssimo papel de ser a “caixa d’água brasileira”, onde nascem alguns dos rios mais importantes do Brasil. “É do cerrado que tiramos nossa cura, nossa saúde, as frutas que vão pra mesa, as ervas que vão pro banho, as plantas que vão pro chá pra curar nossos males”, explicou fazendo um convite a todos: “precisamos de fato cultivar a nossa volta pra casa”. Para ela, o quilombo não é uma coisa antiga, é o futuro.

Florisbela Santos, liderança do Quilombo do Açude, na Serra do Cipó (MG), trouxe todos os aprendizados e saberes ancestrais da cultura do candombe.

Florisbela Santos, liderança do Quilombo do Açude, na Serra do Cipó (MG), trouxe todos os aprendizados e saberes ancestrais da cultura do candombe.

Da mesma forma, a ancestralidade dos povos indígenas foi representada por Cris Takuá, que não pode estar presencialmente, mas enviou sua mensagem em forma de vídeo, e contou sobre as Escolas Vivas com que trabalha em sua aldeia em Bertioga. Cris convidou a todos que reflitam sobre os processos educativos dentro de casa e nas escolas, pois o futuro da nossa humanidade passa pela cura do território, dos nossos corpos e de muitas questões que atravessam nossa juventude. Leandro Karaí, artista expositor no TEDx, foi convidado a contribuir com a reflexão, e trouxe como símbolo a rede, representação da cultura ancestral indígena, como uma metáfora de como a rede de relações e de povos faz possível ecoar as vozes do território.

A sabedoria popular caiçara foi trazida por membros de duas gerações distintas. Neide Palumbo, nascida e criada em São Sebastião, foi professora de comunidades locais, onde chegava de carona em barcos que carregavam banana, pois ainda não haviam estradas na região. Após muitos anos trabalhando e convivendo com comunidades isoladas, Neide se aposentou e decidiu se tornar uma contadora das histórias que ouviu ao longo da vida. Durante o TEDx, divertiu e encantou o público com histórias alegres que retratam como era o dia a dia do caiçara de antigamente, abusando do sotaque nativo.

Neide Palumbo, professora aposentada, divertiu e encantou o público com histórias alegres que retratam como era o dia a dia do caiçara de antigamente (Foto: Yara Vergueiro)

Neide Palumbo, professora aposentada, divertiu e encantou o público com histórias alegres que retratam como era o dia a dia do caiçara de antigamente (Foto: Yara Vergueiro)

Representando a nova geração, que se destaca no digital e novas tecnologias, o publicitário e influenciador Gil Pinna, ou “Gilmarzinho”, como é conhecido em Ilhabela, honrou seus ancestrais trazendo um pouco da história da Congada de São Benedito, da qual é embaixador em Ilhabela. Nascido na ilha, foi depois de buscar formação e reconhecimento profissional na capital que passou a valorizar ainda mais sua terra natal.

Com direito a toque de tambor no início de sua fala, Gil contou que a congada está com ele aonde vai, na forma como educa seu filho, no seu trabalho, na sua criatividade. “Para preservarmos a nossa natureza, precisamos alinhar novos hábitos aos antigos costumes”, disse ao defender que o maior valor de seu trabalho como mentor está na originalidade. Pensamento que vale tanto para marcas como para as pessoas. “O mundo precisa da sua diversidade e da sua forma de resolver os problemas. Você pode ser quem você quiser, inclusive quem você já é”, completou valorizando suas raízes caiçaras.

“Para preservarmos a nossa natureza, precisamos alinhar novos hábitos aos antigos costumes”, Gil Pinna

“Para preservarmos a nossa natureza, precisamos alinhar novos hábitos aos antigos costumes”, Gil Pinna

Arte, economia criativa e comunidade

O TEDx Ilhabela buscou valorizar a diversidade também nas expressões artísticas. Nos intervalos de palestras, músicos locais como o compositor Fidura Cardial e o grupo Caixa Allta animaram a plateia com canções autorais, inclusive uma criação conjunta especial para o evento. Tivemos também poesia e canções ancestrais, com vozes como a de Mi Preta, ou no som da “Shakuhachi”, instrumento ancestral japonês de Kiyoshi Koide, artista responsável também por um origami gigante de um Tiê Sangue, ave símbolo do evento, e pelas “artérias” espalhadas pelos caminhos do Vermelhos. A arte também foi expressada em forma de pintura, cultura indigena ou paineis de macramê, em uma exposição riquíssima preparada especialmente para o evento com mais de 10 artistas locais, sob a curadoria artística de Andrea Gomes.

Fidura Cardial e o grupo Caixa Allta animaram a plateia com uma composição especial para o evento

Fidura Cardial e o grupo Caixa Allta animaram a plateia com uma composição especial para o evento

A literatura também esteve presente, com a Kombi Biblioteca Itinerante Antonieta, estacionada logo na chegada ao evento, valorizando livros relacionados à ancestralidade, e com a Livraria Canoa, que além de títulos variados destaca autores locais e literatura caiçara ou sobre a história de Ilhabela. Produtores locais baseados em agroecologia levaram uma feira de orgânicos e alimentos para nutrir o corpo e a alma, além de uma praça de alimentação que agregou restaurantes e cafés da ilha incentivando a economia local.

Essa preocupação com a economia e sociedade local começou antes do evento do dia 6, com dois encontros prévios proporcionados pelos próprios organizadores que contribuíram para catalisar novas iniciativas. No dia 4 pela manhã, um painel sobre negócios de impacto, realizado no Hotel Itapemar com mais de 50 empreendedores locais, e, à tarde, uma Roda de Saberes, que reuniu mais de 100 lideranças comunitárias na Fazenda do Engenho.

Roda de Saberes, que reuniu mais de 100 lideranças comunitárias na Fazenda do Engenho no dia 4 de outubro

Roda de Saberes, que reuniu mais de 100 lideranças comunitárias na Fazenda do Engenho no dia 4 de outubro

Preservação e regeneração da natureza em foco

Os “talks” (ou falas) do TEDx Ilhabela foram encerrados pelo cineasta e navegador David Schurmann. A família, bem conhecida na Capital da Vela, já viaja há mais de 40 anos pelos mares de todo o mundo e, segundo David, foi no mar que ele aprendeu que a natureza fazia parte de nós e, nas andanças pelo mundo, entenderam que os oceanos estavam passando por uma tempestade. Ao visitar o chamado “ponto Nemo”, lugar mais distante e isolado de qualquer civilização (localizado no Oceano Pacífico Sul), foi surpreendido por mais do que beleza natural de um portal mágico do tempo: encontrou muito lixo, resíduos descartados pelo ser humano que chegaram até lá – foram 10 sacos de lixo recolhidos na limpeza de praia mais distante que já fizeram.

Ao perceber que o oceano estava sofrendo e que havia um distanciamento entre o ser humano e a natureza, decidiram iniciar a Voz dos Oceanos, uma grande expedição pelos mares que vem gerando conscientização sobre a poluição plástica nos oceanos e engajamento social em busca de soluções. “Não éramos ambientalistas, éramos navegadores. Mas conversando com pessoas que sabiam do assunto, entendemos que era nossa responsabilidade devolver para o oceano um pouco do que ele deu para nós”. Hoje, a família já falou com mais de 1,7 bilhão de pessoas nesse planeta.

David Schurmann falou sobre o projeto "Voz dos Oceanosä, uma grande expedição pelos mares que vem gerando conscientização sobre a poluição plástica nos oceanos e engajamento social em busca de soluções.

Voz dos Oceanos, uma grande expedição pelos mares que vem gerando conscientização sobre a poluição plástica nos oceanos e engajamento social em busca de soluções.

Schurmann encerrou com otimismo, ao constatar que, ao mesmo tempo em que em alguns lugares por onde viajam está mais difícil encontrar peixes para pescar, também é possível avistar muito mais baleias ou tartarugas do que se via antigamente. Nos anos 80, eram cerca de 450 baleias catalogadas, hoje são mais de 20 mil. Prova de que o oceano também se regenera. “Falo para meu filho de 16 anos: quero tentar deixar para você o oceano que eu vi quando tinha a sua idade”, diz emocionado. E encerrou com a provocação: “Qual a história que cada um de nós vai escrever com nossas famílias?”.

Para a jornalista Paulina Chamorro, apresentadora do evento e podcaster em Vozes do Planeta, o TEDx Ilhabela foi uma viagem para a periferia de São Paulo, para o cerrado, para o sul da Bahia e pela nossa região. “Todas as falas de hoje nos mostraram que temos desafios mas também janelas de oportunidades, sempre respeitando o território e a ancestralidade”.

O legado do TEDx Ilhabela para o futuro

Aziz Camali, co-organizador do TEDx Ilhabela ao lado de um coletivo de voluntários, aproveitar uma época de COP30 no Brasil, em que todos os líderes de diversos países estão falando sobre isso e trazer o assunto da Mata Atlântica, falar da natureza, não só da floresta, mas sobre a sociedade que vive aqui, é uma grande oportunidade. A grande mensagem que fica é a regeneração territorial, e a comunidade local tem um papel fundamental nessa transformação. Comunidade que abraçou a ideia e ajudou o TEDx a acontecer: o evento foi viabilizado por 42 marcas, coletivos e empreendimentos não só de Ilhabela, mas de outras cidades do Litoral Norte como Ubatuba, em um modelo de financiamento colaborativo e descentralizado, que se uniram em torno da causa.

Time de voluntários e apoiadores do TEDx Ilhabela.

O evento foi viabilizado por 42 marcas, coletivos e empreendimentos não só de Ilhabela, mas de outras cidades do Litoral Norte como Ubatuba, em um modelo de financiamento colaborativo e descentralizado

Para ele, o TEDx Ilhabela é sobre uma comunidade maravilhosa que precisa se integrar. “Ilhabela vive o contexto de empresas de um lado, sociedade civil do outro e políticas públicas que ainda não entenderam a importância da gente trabalhar essa integração”, reflete. “Num evento como esse, a gente tem começar esvaziado, honrando quem veio primeiro que a gente, honrando a energia de Castelhanos, honrando os saberes quilombolas, caiçaras, honrando a força do litoral. É o lugar de honrar quem chegou antes e incluir essas pessoas no processo, mas trazer o gás também de quem está chegando agora com uma energia nova”, conclui Aziz.

O primeiro TEDx Ilhabela reuniu mais de 500 pessoas e zerou emissões de carbono, reforçando o compromisso com a regeneração ambiental. No total, foi feita a compostagem de 356 kg de resíduos orgânicos e o encaminhamento de 100 kg de materiais para reciclagem. Para a neutralização de 100% das emissões de carbono, foi feito o replantio de mais de 50 mudas nativas no Parque Estadual de Ilhabela.

“Fizemos um evento lindo, que se materializou com pouco recurso e um time potente de voluntários. O objetivo maior de iniciar um novo ciclo para a Ilha foi concluído, agora é olhar para as lições aprendidas e os próximos passos”, refletiu Aziz Camali, idealizador do projeto. Com o sucesso da primeira edição, o TEDx Ilhabela já tem retorno confirmado para 2026, com a proposta de se consolidar como um festival anual de regeneração territorial para fortalecer a sociobioeconomia.

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