O poder de pertencer: o papel da comunidade na nossa saúde
Mesmo diante das dores e desafios de ser humano, é na coletividade que encontramos o que há de mais curativo: o pertencimento.
“Você nasce sozinho e morre sozinho”. Você provavelmente já escutou essa frase.
E, ironicamente, eu mesma a repeti por quase 30 anos da minha vida. Até que um dia, durante um ritual espiritual, percebi que ela é uma grande balela. Não existe absolutamente nada mais coletivo do que viver como ser humano nesse planeta.

Pra nascer, dependemos de uma mulher — a mesma que nos alimenta nos primeiros meses de vida.
Pra aprender a ler e escrever, precisamos de professores.
Pra comer, contamos com o agricultor que planta e colhe, o caminhoneiro que transporta, o frentista que abastece o caminhão, o estoquista que organiza, o caixa que cobra.
Pra vestir uma roupa, precisamos da tecelã, da costureira, da vendedora.
Poderia passar dias listando o quanto somos interdependentes.

E que coisa mais linda isso é, não? Pensar que, mesmo diante das dificuldades e dos inevitáveis desafios de ser humano, é a coletividade que faz a vida literalmente acontecer.
Escolhi falar sobre comunidade na coluna desta quinzena porque o evento TEDx Ilhabela ainda está ressoando forte dentro de mim. (Se você ainda não leu a cobertura completa, clique aqui — vale a pena!).

Roda de Saberes do TEDx Ilhabela reuniu representantes da comunidade para falar sobre regeneração, ancestralidade e sustentabilidade.
Participar de um evento no meio da Mata Atlântica, onde líderes comunitários, comunicadores, artistas, educadores e produtores locais se reuniram para debater ancestralidade, sustentabilidade e regeneração, foi uma experiência transformadora.
E o que tudo isso tem a ver com saúde e bem-estar — o tema dessa coluna escrita por uma nutricionista? Tudo.
Estar em comunidade, se reconhecer como parte de um grupo e se rodear de pessoas que compartilham dos mesmos valores é um dos pilares de uma vida verdadeiramente saudável.

Estudo das Blue Zones mostra que senso de comunidade é um dos fatores mais determinantes para a longevidade
Nas chamadas Blue Zones, regiões do planeta onde vivem as pessoas mais longevas e saudáveis do mundo (clique para saber mais), o senso de comunidade é um dos fatores mais determinantes para a longevidade. Nessas populações, o pertencimento, os laços sociais fortes, o apoio mútuo e os encontros frequentes com amigos e familiares reduzem estresse, fortalecem o sistema imunológico e até aumentam a expectativa de vida. Somos, biologicamente, feitos para viver em conexão. A solidão, por outro lado, é hoje considerada um dos grandes fatores de risco para doenças crônicas e mentais.

Pesca Artesanal na Comunidade Tradicional Caiçara de Castelhanos em Ilhabela (créditos: Dani Garbiatti / site https://www.castelhanos.org/)
Talvez a verdadeira saúde não esteja apenas naquilo que colocamos no prato, mas também nas relações que nutrimos com as pessoas, com a natureza e com nós mesmos.
Viver em comunidade é lembrar que não precisamos (e nem devemos) fazer tudo sozinhos.
E, se o TEDx Ilhabela nos mostrou algo, foi justamente isso: que quando mentes, almas e corações se unem por um propósito comum, nasce um movimento capaz de curar, inspirar e transformar.
No fim das contas, é na troca, na escuta e no cuidado coletivo que encontramos o que há de mais curativo na experiência humana: pertencer.