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novembro, 2016
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Tudo o que você precisa saber para se aventurar pelo mundo da vela – esporte que é a cara de Ilhabela

Por Alessandra Stefani

Quando o assunto é vela (a ligada ao esporte, não vá pensar na que vai no bolo, hein), Ilhabela é referência. Não é à toa que ela é conhecida como a Capital Nacional da Vela, título oficializado pela presidência da república. É… não é pouca coisa, não! Mas você sabe por que ela é chamada assim?

Barco a vela visto de cima (Imagem: Divulgação/Vini Vela Charters)

Barco a vela visto de cima (Imagem: Divulgação/Vini Vela Charters)

Nadando de braçada no mundo da vela

Pra responder essa pergunta, vamos dar um passo pra trás e começar… do começo: no mundo náutico, o que é vela? Resposta para leigo: é aquela peça (pra simplificar, aquele “pano”) que, quando fica exposta ao vento, faz uma embarcação se deslocar.

Detalhe da vela (Imagem: Flickr/Phuket@photographer.net)

Detalhe da vela (Imagem: [email protected])

No universo esportivo, vela não é só aquele barco tradicional, cheio de gente a bordo. O windsurfe (aquela prancha que parece de surfe mas com uma vela em cima) e o kitesurfe (a pipa gigante controlada por uma pessoa que fica em pé em uma prancha) também são considerados esportes à vela (não são movidos pela força do vento? Então, são esportes à vela). Quem explica é o Vinícius Martins Nicolella, capitão e dono da Vini Vela Charters, uma Escola Náutica em Ilhabela que também oferece outros serviços ligados à área.

Praticante de Windsurfe (Imagem: Flickr/Al Rosa)

Praticante de Windsurfe (Imagem: Flickr/Al Rosa)

Na vela, ou iatismo (é tudo a mesma coisa), existem dois tipos de barcos. Vinícius conta que um é o monotipo, aquela embarcação pequena e geralmente sem motor. Sabe o que isso significa, né? Se o vento parar, o sujeito fica à deriva até que seja dado literalmente o “ar” da graça novamente. O outro tipo é o oceânico, um barco grandalhão onde dá até pra morar a bordo. Além da vela, os veleiros de oceano têm um motor que é a salvação quando os deuses do vento não estão a fim de trabalhar.

Veleiro dando a volta em Ilhabela (Imagem: Divulgação/Vini Vela Charters)

Veleiro dando a volta em Ilhabela (Imagem: Divulgação/Vini Vela Charters)

Os barcos à vela são divididos em classes, tipo a “família” a qual cada um pertence. E pra se enquadrar em uma, tem um monte de regra levada em consideração, como o tamanho do casco, a dimensão da vela, o número de tripulantes e até o peso do atleta. São dezenas de classes reconhecidas pela Federação Internacional de Vela, mas só algumas estiveram nas Olimpíadas do Rio. Cada “partida” de uma competição de barco à vela é chamada de regata.

Competição de barco a vela em Ilhabela (Imagem: Flickr/Pedro EA)

Competição de barco a vela em Ilhabela (Imagem: Flickr/Pedro EA)

Ilhabela indo de vento em popa

Bem, dados os nomes aos bois, vamos voltar ao início do texto: por que Ilhabela é considerada a Capital Nacional da Vela? É que aqui dá pra velejar todo dia, sem exagero. E a grande “culpada” disso é a nossa geografia. O pessoal do marketing da BL3, uma Escola de Iatismo aqui na ilha, explica que “as formações montanhosas de São Sebastião com as de Ilhabela formam um corredor de ventos constantes durante o ano todo no canal”. É isso que faz da ilha um lugar perfeito pra praticar esportes à vela.

Canal de São Sebastião (Imagem: Wikimedia Commons/RODRIGO LEHSTEN)

Canal de São Sebastião (Imagem: Wikimedia Commons/RODRIGO LEHSTEN)

Mas com mais de 40 praias na ilha, qual é a melhor para velejar? Aí depende da direção do vento. Segundo Vinícius, se o vento for leste ou nordeste, as praias do norte, como a da Armação ou Ponta das Canas, são o point. Nesta última, está sendo construída inclusive uma plataforma pública de apoio a esportes náuticos, que vai ser uma mão na roda para os praticantes de kitesurfe e windsurfe. Eles vão ter um espaço pra montar o equipamento e cair na água. Mas se o vento for sul, aí meu caro, todo o canal é bom para velejar.

Plataforma de Apoio a Esportes Náuticos na Ponta das Canas (Imagem: Marcelo Castro)

Plataforma de Apoio a Esportes Náuticos na Ponta das Canas (Imagem: Marcelo Castro)

Plataforma de Apoio a Esportes Náuticos na Ponta das Canas (Imagem: Marcelo Castro)

Plataforma de Apoio a Esportes Náuticos na Ponta das Canas (Imagem: Marcelo Castro)

As condições do vento e do mar no Canal de São Sebastião são tão boas que tem um monte de competição de esporte à vela aqui, com regatas rolando o ano todo. O “filé mignon” é em julho, durante a Semana Internacional de Vela de Ilhabela, quando velejadores do mundo inteiro colorem as águas da ilha.

Semana de Vela de Ilhabela (Imagem: Marco Yamin)

Semana de Vela de Ilhabela (Imagem: Marco Yamin)

Caindo na água

Agora talvez você deva estar se perguntando: de que adianta saber de tudo isso se eu não sei velejar? Passe um tempinho aqui na ilha e seus problemas estarão resolvidos. Tem curso pra tudo aqui! Entre as aulas dadas pela BL3 estão as de windsurfe e de kitesurfe, com equipamentos fornecidos pela escola. O curso básico de kitesurfe, por exemplo, dura de 6 a 8 aulas. Já a Vini Vela Charters oferece curso de vela oceânica, tanto pra galera mais experiente quanto para aqueles que se acham um zero à esquerda no assunto. Em 2 dias, iniciante sai de lá velejando, com noções básicas de como ajustar vela, bússola, GPS, ancorar. Só é preciso ter mais do que 12 anos de idade.

Praticante de kitesurfe (Imagem: Wikimedia Commons/Per Meistrup)

Praticante de kitesurfe
(Imagem: Wikimedia Commons/Per Meistrup)

Agora, se você se apaixonar pela ilha e decidir se mudar pra cá, seu filho vai poder aprender tudo isso de graça. É que aqui funcionam duas Escolas Municipais de Vela (uma na Praia do Pequeá e outra na do Curral), um projeto mantido pela prefeitura. Uma geração que, inspirada num dos esportes que mais rendeu medalhas olímpicas para o Brasil, está aprendendo as técnicas de cair no mar.

Escola de Vela Lars Grael (Imagem: Divulgação Prefeitura de Ilhabela)

Escola de Vela Lars Grael (Imagem: Divulgação Prefeitura de Ilhabela)

Sim, técnica é indispensável. Como reescreveu o poeta Fernando Pessoa “Navegar é preciso. Viver não é preciso”. Afinal, navegar é uma mistura de matemática, de física. É uma ciência e, portanto, precisa (sacou agora uma das interpretações da palavra “preciso”?). Mas não se assuste com toda essa “precisão” e se lance ao mar como fizeram marinheiros mais de 2.000 anos atrás, que levaram ao pé da letra a frase dita pelo general romano Pompeu, “Navegar é preciso (no sentido de necessário). Viver não é preciso”. As águas de Ilhabela estão aí pra quem precisar se aventurar.

Velejando Praia da Feiticeira (Imagem: Wikimedia Commons/Roberto Pavezi Netto)

Velejando Praia da Feiticeira (Imagem: Wikimedia Commons/Roberto Pavezi Netto)

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